O rádio entra na Internet
O rádio está na Internet há uns cinco anos, desde que os primeiros sistemas de transmissão de informação digital em tempo real, pela Rede, começaram a sair dos laboratórios para o mundo.
A primeira emissora latino-americana a cair na Rede foi a Rádio Jornal do Comércio, de Recife, usando a primeira e muito capenga versão do servidor de RealAudio da RealNetworks (www.realnetworks.com, se você não tem ainda, pode pegar o receptor, grátis).
O pessoal do Centro de Informática da UFPE, que botou a estação no ar, o fez quase de brincadeira: sintonizava a estação em um antigo receptor Marantz e, depois de passar por dois PCs, um dos quais gerava o sinal digital a partir do rádio analógico para o segundo, que mandava os canais digitais para a Internet, fazia Pernambuco falar para o mundo. Em rede.
Tinha gente ouvindo jogo do Santa Cruz em Boston, o que não é pouca coisa.
Meia década depois, a audiência do rádio na Internet é pífia, para dizer o mínimo. A rádio mais ouvida na Rede é a Virgin, de Londres, que tem menos de 500 ouvintes simultâneos, gerando 250 mil horas de sintonia por mês (veja na RAIN: Radio And Internet Newsletter). Uma rádio de porte, em uma cidade como São Paulo ou Londres, tem até 100 mil ouvintes simultâneos.
Mas a Internet 2 pode mudar tudo isso, tornando possível o uso de protocolos do tipo multicast, que vão permitir enviar o mesmo fluxo de áudio e vídeo para milhares, ou centenas de milhares de pessoas, em vez de se usar um canal para cada ouvinte, como acontece hoje.
Parâmetros de qualidade de serviço, hoje inexistentes, tornarão possível diferenciar áudio de e-mail, dando preferência à informação em tempo real e permitindo cobrar por ela, quando for o caso.
E os celulares de terceira geração podem mudar tudo de novo. Bilhões de pessoas, pelo planeta afora, de posse de um dispositivo que vai poder ser endereçado individualmente e em grupo, inclusive para transmissões de áudio e vídeo, criam um conjunto completamente novo de possibilidades.
Por exemplo, de você poder sintonizar, grátis, discando *723, uma estação de áudio (e não mais de rádio) similar às que temos no dial, hoje, recebendo informação, diversão e propaganda. Ou, se não quiser ouvir propaganda, pagar por hora de audição, noutro canal, como nos canais de áudio via satélite de hoje. E, certamente, haverá centenas, talvez milhares de canais a escolher.
Em breve A tecnologia, tanto de transmissão como de programação, que está sendo desenvolvida hoje, vai permitir que programemos o que (e quando) queremos ouvir. Como João Gilberto para acordar (ou continuar dormindo?), notícias da cidade (para soltar a adrenalina antes de sair de casa), heavy metal para lutar com o trânsito, Boards of Canada para trabalhar...
Vez por outra, no celular, é capaz até de se atender a alguma ligação ou fazer uma chamada. Claro que o carro não vai ter rádio, vai ter um treco desses aí; ou, melhor, vai ter um amplificador pr'aquele que já anda no meu bolso, que não quero aprender a programar mais de um deles...
Se acontecer, vai ser muito interessante, porque Bell, que inventou o telefone (com fio), pensava que sua tecnologia seria usada justamente para transmitir informação e entretenimento. Marconi, o homem do rádio, tinha certeza de que sua invenção (o telefone celular é um rádio portátil, é bom não esquecer) seria usada para comunicação interpessoal.
A Rede do futuro, fundindo tudo, pode transformar os sonhos dos dois, depois de tanto tempo, em realidade... Até lá, podemos esperar. Mas as estações não estão esperando: seus websites, como o da CBN (www.cbn.com.br), agregam uma riqueza antes impensada à programação normal, com texto, arquivo, imagens...
tornando o que a gente chamava de "rádio", cada vez mais, um jornal que tem áudio interativo em tempo real.
Se quiser ver - e ouvir-, entre no site da rádio e ouça, por exemplo, aquele jingle da Varig, da história de "Seu Cabral..." que depois de descobrir o Brasil, fica com saudades e volta "já para Portugal..." de avião, claro.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário