quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Rádio_Mídia

Ao pé do rádio


Para aqueles que pensam em mídia globalizada no Brasil, basta uma viagem exploratória pelas cidades de interior para perceber que a história não é bem assim. Existem comunidades que ainda se comunicam com recados afixados em árvores da Praça Central. Não acredita? Pois o maior grupo de cutelaria do Brasil, a Tramontina, escolheu o rádio como forma de alcançar seu público-alvo na região Nordeste, que representa 15% do volume total de negócios da empresa. O objetivo é fidelizar o consumidor e divulgar a marca de ferramentas e equipamentos como a enxada, cuja a distribuição é pulverizada em milhares de pequenos pontos-de-venda e cooperativas, através de programações especiais.

Fonte: Revista: Grandes Idéias de Marketing, nº46 - Junho de 2000

Rádio_Internet

O rádio entra na Internet

O rádio está na Internet há uns cinco anos, desde que os primeiros sistemas de transmissão de informação digital em tempo real, pela Rede, começaram a sair dos laboratórios para o mundo.
A primeira emissora latino-americana a cair na Rede foi a Rádio Jornal do Comércio, de Recife, usando a primeira e muito capenga versão do servidor de RealAudio da RealNetworks (www.realnetworks.com, se você não tem ainda, pode pegar o receptor, grátis).
O pessoal do Centro de Informática da UFPE, que botou a estação no ar, o fez quase de brincadeira: sintonizava a estação em um antigo receptor Marantz e, depois de passar por dois PCs, um dos quais gerava o sinal digital a partir do rádio analógico para o segundo, que mandava os canais digitais para a Internet, fazia Pernambuco falar para o mundo. Em rede.
Tinha gente ouvindo jogo do Santa Cruz em Boston, o que não é pouca coisa.
Meia década depois, a audiência do rádio na Internet é pífia, para dizer o mínimo. A rádio mais ouvida na Rede é a Virgin, de Londres, que tem menos de 500 ouvintes simultâneos, gerando 250 mil horas de sintonia por mês (veja na RAIN: Radio And Internet Newsletter). Uma rádio de porte, em uma cidade como São Paulo ou Londres, tem até 100 mil ouvintes simultâneos.
Mas a Internet 2 pode mudar tudo isso, tornando possível o uso de protocolos do tipo multicast, que vão permitir enviar o mesmo fluxo de áudio e vídeo para milhares, ou centenas de milhares de pessoas, em vez de se usar um canal para cada ouvinte, como acontece hoje.
Parâmetros de qualidade de serviço, hoje inexistentes, tornarão possível diferenciar áudio de e-mail, dando preferência à informação em tempo real e permitindo cobrar por ela, quando for o caso.
E os celulares de terceira geração podem mudar tudo de novo. Bilhões de pessoas, pelo planeta afora, de posse de um dispositivo que vai poder ser endereçado individualmente e em grupo, inclusive para transmissões de áudio e vídeo, criam um conjunto completamente novo de possibilidades.
Por exemplo, de você poder sintonizar, grátis, discando *723, uma estação de áudio (e não mais de rádio) similar às que temos no dial, hoje, recebendo informação, diversão e propaganda. Ou, se não quiser ouvir propaganda, pagar por hora de audição, noutro canal, como nos canais de áudio via satélite de hoje. E, certamente, haverá centenas, talvez milhares de canais a escolher.
Em breve A tecnologia, tanto de transmissão como de programação, que está sendo desenvolvida hoje, vai permitir que programemos o que (e quando) queremos ouvir. Como João Gilberto para acordar (ou continuar dormindo?), notícias da cidade (para soltar a adrenalina antes de sair de casa), heavy metal para lutar com o trânsito, Boards of Canada para trabalhar...
Vez por outra, no celular, é capaz até de se atender a alguma ligação ou fazer uma chamada. Claro que o carro não vai ter rádio, vai ter um treco desses aí; ou, melhor, vai ter um amplificador pr'aquele que já anda no meu bolso, que não quero aprender a programar mais de um deles...
Se acontecer, vai ser muito interessante, porque Bell, que inventou o telefone (com fio), pensava que sua tecnologia seria usada justamente para transmitir informação e entretenimento. Marconi, o homem do rádio, tinha certeza de que sua invenção (o telefone celular é um rádio portátil, é bom não esquecer) seria usada para comunicação interpessoal.
A Rede do futuro, fundindo tudo, pode transformar os sonhos dos dois, depois de tanto tempo, em realidade... Até lá, podemos esperar. Mas as estações não estão esperando: seus websites, como o da CBN (www.cbn.com.br), agregam uma riqueza antes impensada à programação normal, com texto, arquivo, imagens...
tornando o que a gente chamava de "rádio", cada vez mais, um jornal que tem áudio interativo em tempo real.

Se quiser ver - e ouvir-, entre no site da rádio e ouça, por exemplo, aquele jingle da Varig, da história de "Seu Cabral..." que depois de descobrir o Brasil, fica com saudades e volta "já para Portugal..." de avião, claro.

Rádio_Tecnologia

Rádios enfrentam ameaça da tecnologia


SAN FRANCISCO - A rádio tradicional -- há muito tempo suporte da cultura popular norte-americana -- está sendo ameaçada pelos avanços da tecnologia de áudio, que pode puxar da tomada muitas emissoras a menos que elas se adaptem rapidamente.
A tecnologia digital, como a utilizada no serviço de troca de músicas digitais da Napster, está revolucionando a maneira pela qual as pessoas ouvem suas canções favoritas.
"É um modelo a ser batido", disse Barry Vercoe, professor de Arte Musical e Meios de Comunicação do Massachusetts Institute of Technology (MIT), após apresentar a abertura da convenção anual de rádio da associação nacional de emissoras dos Estados Unidos.
Tradicionalmente os consumidores recebem suas músicas de duas formas -- transmissões de rádio e compra de álbuns em lojas, afirmou Vercoe.
Segundo o professor, o surgimento de tecnologias como os arquivos MP3, um formato de compressão que transforma músicas gravadas em CDs em arquivos que podem ser transmitidos pela Internet, mostrou que os dois modelos tradicionais estavam convergindo.
O truque para a sobrevivência das emissoras de rádio dos EUA, cujos rendimentos em 1999 cresceram 15 por cento atingindo a casa dos 17,6 bilhões de dólares, será descobrir como tirar rapidamente vantagem desta situação -- ou arriscar-se a terminar como as gravadoras, que hoje tentam em uma sala de tribunal controlar a tecnologia que gerou companhias como a Napster

Fonte:Reuters

Rádio_Informação

O rei da informação

Há certos conceitos que, conforme a visão de mundo de cada um, não teria razão de existir, mesmo prevalecendo ao longo do tempo. Um deles insiste que o rádio, com o surgimento da televisão, deixou de ter a importância que tinha nas décadas de quarenta, cinqüenta e sessenta. Os prognósticos foram os mais pessimistas possíveis. De fato, o rádio sofreu um grande abalo com o advento da televisão, especialmente pelo abandono progressivo e constante do mercado publicitário. Ele teve que procurar novos caminhos de viabilização econômica para as suas programações, abrir novos mercados que possibilitassem a sua sobrevivência, enfim foi necessário recriar o rádio.
O rádio deixou de ser broacasting, com shows, novelas, programas de auditórios, sem nunca ter deixado de lado a poesia, declamada por belas vozes. Ele foi obrigado a se transformar, enfrentando percalços a partir da ausência absoluta de critérios éticos e estruturais no processo das concessões de emissoras de rádio, outorgadas pelo governo a exemplo da barganha política pra a aprovar os cinco anos de mandato do presidente José Sarney.
Contrariando as previsões dos descrentes, o rpadio vem cumprindo gloriosamente o seu destino e a sua vocação real, mantendo ate os dias de hoje a soberania entre os meios de comunicação de massa. As pesquisas apontam que das cinco da manhã até as seis da tarde predomina na preferência do público, seja nas grandes metrópoles, por razões próprias, ou seja nas cidades menores elas características especídicas. Este quadro não se verifica somente no Brasil, mas com maior ênfase ainda nos país de Primeiro Mundo, onde as emissoras de rádio vêm recuperando a participação no bolo publicitário, ainda que muito aquém do desejado, principalmente pelafalta de conhecimento do verdadeiro potencial do veículo. Entretanto, a maior virtude deste meio de domjnicação está na sua singular natureza sonorta. Rádio é som e só. Ele trabalha com o imaginário das pessoas, quantativamente através da música e qualitativamente pela informação. A agilidade, a velocidade, versatilidade, interatividade, abrangência e essencialmente a constante companhia são algumas das características que o diferencial dos outros, sem discriminar ninguém.
A partir deste final de século, com a evolução da informátrica na vida de todos os setores, as perprectivas para o ´radio são altamente favoráveis, ganhando novos e substanciais horizontes. Além dos consogrados aparelhos repectores, sejam os portáteis, domiciliares, no carro ou mesmo acoplado em diversos outros produtos eletrodomésticos, também está disponível na rede mundial de computadores. Hoje as pessoas podem ouvir rádio acessando vários sites das emissoras nacionais e estrangeiras pela Internet. E vem mais por aí, o rádio digital. Como sistema digitalizado, vai ser possível sintonizar mais de uma centena de emissoras de todo do mundo em qualidade de CD.

As modernas tecnologias estão definitivamente reatualizando o rádio que nasce sob o estigma da interatividade, baseada numa relação intimista entre emissor e o receptor, fenômeno semelhante que se repete nos dias de hoje na Internet. Mas duas questões nos parecem fundamentais para serem refletidas. Uma delas é quanto ao conteúdo s ser oferecido ao público, se ouvinte ou internauta, qual o verdadeiro papel que devem desempenhar na sociedade atual. Outra indagação se refere a uma participação mais efetiva do mercado publicitário, proporcional aa importância desta mídia.
Partindo do conceito que rádio é a extensão da voz de um lado e do ouvido de outro, cabe-lhe a função básica de ser transmissor de informação de efetivo de interesse público, instrumento indispensável para o exercício da plena cidadania, através do restabelecimento de sai dignidade econômica necessária para manter a sua realização.

Fonte:Autor: Jorge Cury - jornalista responsável da Central de Radiojornalismo.

Rádio_Mercados

O rádio conquistando novos mercados

Alô, alô, amigo ouvinte...
O que é uma boa idéia no mundo dos negócios? No mínimo, uma idéia que gera bons resultados, certo? Pode ser simples e óbvia ou até contrária às regras estabelecidas. Importa que funcione. Nesse sentido, o Lyscar, um consórcio de carros e motos sediado em Aracajú, é um caso exemplar. Há dez meses, a empresa afrontou a lógica dos negócios em seu segmento ao investir tempo e dinheiro no cortejo a consumidores que vivem à margem do mercado formal, em distantes povoados nordestinos onde sequer se consegue captar o sinal de emissoras de televisão. Detalhe: o Lyscar despachou vendedores para essas regiões, mas foi o rádio, usado de forma ágil e criativa numa época em que só se fala em TV e Internet, que acabou se transformando na principal ferramenta de trabalho da nova fronteira de vendas.
Basicamente, a novidade criada pelo Lyscar foi a seguinte: passou a transmitir por rádio as assembléias de consorciados, quando são feitos os sorteios dos veículos, e criou um programa de prestação de serviço, em que diretores do consórcio esclarecem dúvidas, ao vivo. Com isso, a empresa atraiu uma clientela até então desconhecida e, de certo modo, rejeitada pelo comércio de bens duráveis. Trata-se de uma classe média do interior de Sergipe e de Alagoas - pequenos comerciantes, aposentados, viúvas e funcionários da Chesf, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco - cuja renda formal ou idade avançada os impede de acessar o crédito de bancos e financeiras. Resultado: as vendas do comércio aumentaram 50% em menos de um ano.
A fórmula do marketing radiofônico é simples. "Um consórcio é um condomínio dos sonhos", diz Carlos Alberto Teixeira Lyra, diretor executivo da Lyscar. "Por meio do rádio procuramos reforçar esse elemento mágico com esclarecimento de dúvidas e prestação de serviços que tornem o nosso negócio o mais transparente possível aos olhos do cliente". A experiência começou na pequena Canindé do São Francisco, uma cidade de 50 000 habitantes, distante 132 quilômetros de Aracaju. No início, o programa se resumia à transmissão das assembléias de consorciados pela emissora local, a Rádio Xingó. A resposta positiva levou o Lyscar a comprar horários na Rádio Cultura de Aracaju, cujo sinal abrange Sergipe e Estados vizinhos, e a criar a revista radiofônica Lyscar Auto, composta de 12 quadros. O programa divulga os lançamentos da indústria automobilística, fornece dicas sobre manutenção de veículos e legislação de trânsito e presta esclarecimentos sobre o funcionamento e as vantagens do sistema de consórcios, respondendo a questões encaminhadas por telefone e fax.
"A cada edição são mais de 50 perguntas feitas pelos ouvintes", diz o radialista Cícero Mendes, apresentador do programa.
Muitos dos que ligam para perguntar acabam virando consorciados. Em Canindé do São Francisco, a professora Inês Alves Brito decidiu aderir a um dos grupos do consórcio depois de ser esclarecida pelo rádio sobre as regras do jogo. Em Piranhas, no Estado de Alagoas, o operador da Chesf Sandro Rogério Bezerra diz que suspendeu as cansativas viagens a Aracaju, para acompanhar as assembléias, porque a transmissão radiofônica não deixa margem a dúvidas. Dos 3000 participantes do Lyscar, 30% entraram após a estratégia de marketing no rádio. Muitos aguardam por motos, cujas mensalidades entre 60 e 100 reais são bem mais compatíveis com o padrão de renda da região que os 190 a 350 reais pagos pelos que querem retirar automóveis.
Com os juros de crédito ao consumidor ainda elevados, os consórcios continuam a ser praticamente a única alternativa de aquisição de bens para boa parte dos brasileiros. Em fevereiro, as empresas do ramo em todo o País contabilizavam 2,6 milhões de cotistas, dos quais pouco mais de 1 milhão estava à espera de um carro novo. É um apelo que o rádio, usado segundo a fórmula do Lyscar, pode tornar irresistível em regiões que começam a ser incorporadas à economia de consumo.

Fonte:Revista Exame, edição 715 de 31/05/2000.
Matéria de Jomar Morais.